quinta-feira, 17 de março de 2011

Kelly

Estava na hora. Pegou seu estojo de maquiagem e o pôs sobre a mesa. Havia ali, naquela caixa prateada, as muitas faces que Amanda gostava de usar em certos momentos de sua vida.
Acordou sentindo-se sexy naquele finalzinho de tarde. Foi ao computador que deixara ligado durante o dia, abriu sua página no Twitter e postou que se sentia especialmente sensual naquele momento. Em seguida foi ate seu guardarroupas, procurou aquele vestidinho preto bem justo a seu corpo, o qual lhe dava formas perfeitas. Colocou-o sobre a cama e se dirigiu ao banheiro para banhar-se. Como de costume ligou seu aparelho de som, a música que passava na rádio era alguma da Britney Spears e com todos aqueles gemidos feitos pela cantora enquanto fazia seu desempenho vocal, Amanda tomava seu delicioso banho masturbando-se até atingir o gozo.
Agora em frente ao espelho da cômoda, Amanda começava o seu processo de dar vida a uma nova mulher, a quem ela chamava de Kelly. A partir daquele momento, Amanda não existia mais, mas sim uma mulher loira, com cabelos ondulados e levemente despenteados. Olhos azuis de uma profundidade indescritível e um olhar sedutor  desprovido de qualquer pudor. Kelly era despudorada, cheia de malícias e exalava sexo. Maquiada e toda modelada pelo sinuoso vestido preto, Kelly estava quase pronta se não fosse por um pequeno detalhe: estava faltando seu salto alto. Correu até o closet, pegou sua sandália de um salto com dezessete centímetros deixando-a mais irresistível que nunca. Finalmente pronta, saiu de sua casa e foi para as ruas trabalhar, encontrar seus clientes para dar prazer a eles. E assim foi.
Já trabalhava na noite a alguns anos e sabia muito bem como era a vida de uma profissional do amor – era assim que ela se referia e preferia chamar seu trabalho. Já havia enfrentado de tudo, desde homens gordos e sujos, que ela os obrigava a tomar banho antes de qualquer relação, até homens perfeitos, de um corpo atlético impecável e fantasias sexuais absurdas. Certa vez um queria que ela o fudesse com um pepino enquanto ele estava de quatro sendo chicoteado pela mesma, e assim Kelly realizou. Poderia também falar do casal de lésbicas que queriam que a Kelly transasse com elas no meio da rua dentro do carro, ou do homem que queria ver ela e sua mulher fazendo sexo na frente dele enquanto filmava.  Sua profissão talvez fosse a mais honesta de todas, ela era paga para dar prazer e fazia. Dava prazer...
Quantas histórias eu poderia contar da Kelly, mas tomaria muito tempo. Mas deixo que vocês, amigos leitores, abusem de suas imaginações e viagem com a nossa personagem agora. Entrem junto com ela no carro que acabou de parar ao seu lado e sigam, porque depois que a noite acaba a Amanda volta e a Kelly não existirá por pelo menos alguns dias, e daí surgirão outras, como a Paula, a Raquel, a Vanessa, mas sobre essas não saberei contar histórias...

Tinho Valério

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