segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Rabisquei Palavras

Para não me calar
Lancei palavras ao vento
Soltei-as
Saíram como navalha
Cortando tudo
E todos
Para não me calar
Escrevi na areia da praia
E deixei que as ondas as lessem
Foram trivial para o movimento do mar
Que furioso se tornou
Destruiu paredões
Sucumbiu lugares
Para não me calar
Rabisquei palavras nos troncos do Jatobá
Para que a natureza visse
E os troncos caíssem
Rolassem
Destruíssem
Rabisquei palavras
“A humanidade não tem jeito”

Tinho Valério

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Um sentimento

Eu não sou como você vê
Meu rosto nem sempre é sereno
Não sou puro e inocente
Tampouco inquebrável
Me quebre e teste
Te desafio
Corto como navalha afiada
Posso ser tão tempestuoso como um furacão
Devasso
Arrastando tudo que passa pela frente
Destruo e apresento o ser  desprezível que sou
Prazer
Sou o ódio

Tinho Valério

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Me ouça

Pense bem
Não olhe pra trás
Olhe em volta
Pegue a minha mão
Segure firme
E caminhe ao meu lado

Veja!
Não tenhas medo
Toque-a
Aperte-a
A inquietude dos seus pensamentos
Me consomem
Seu silêncio me corrói a alma
Me instiga aproximar-me de ti
Você me devora
No ato
Não pensas e age
Me sangra
Me deixa em carne viva
Joga o sal

Você pensou bem?
Não quis mais olhar pra trás...
Olhou ao redor
Sorriu
Partiu
Foi...

Agora aperte a minha mão
Me segure
Eu tenho medo
Veja!
Estou em carne viva
Sangrando
Sentindo sua falta...

Tinho Valério

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

A viagem

No posto rodoviário
Eu vejo carros
Presos
Velhos
Amassados de acidentes
Vejo o que ninguém ver
As almas atordoadas
Umas suplicam luz
Outras nem sabem que morreram
Vejo as iluminadas
As em ascensão
Como também as em decadência
Negras
Más
A vegetação as prende
Eu fecho os olhos
O ônibus passa
E quando abro minha visão
Elas já não pertencem mais a mim...

Tinho Valério

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Jarine


E ela partiu assim
Sem despedidas
Sem um tchau
Sem um abraço
Me deixou faltando um pedaço

Ela não disse que ia
Apenas foi

Saudade é o sentimento que fica
É o peso de quando se perde alguém
Uma marquinha se forma no coração
Um espaço que não se preenche

Custo acreditar que ela nem se despediu de mim
E fui dormir
Acordei sem ela presente
Para sempre

Não adiantou procurar
Havia somente fotos
Nenhum rastro
Nem o perfume

Sentei na cama atordoado
Com o aperto do “sem você”
E foi quando te encontrei
No lugar mais intimo meu
Minha lembrança
De você sempre sorrindo
Feliz
Me fazendo feliz

Foi quando eu levantei
E caminhei até a janela
Contemplei o céu
E seu azul se transformou
Ficou mais lindo
Você havia chegado lá
Estavam em festa...

Tinho Valério

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Desejando-te em outra língua II

Su cuerpo a cerca de mi
Mi piel con su piel
El toque
El cambio
Entrelazando nuestras manos
Nos unimos
Como el nodo en el acero
El deseo viene
El calor
Su cuerpo ahora
    dentro de mi
Usted me tiene
Yo lo tengo

Tinho Valério


**Obrigado ao Fran Castro por me ajudar na correção.

domingo, 30 de outubro de 2011

Não fujas

Não fujas de mim
Fique
Se apegue ao melhor que eu tenho a te oferecer
Sou como a brisa
Leve
Pura
Que refresca
Não fujas de mim
Fique
Se entregue a mim em sua melhor fase
Posso ser como a água
Que purifica
Limpa
Deixe-me banhar sua alma
Não fujas de mim
Fique
Se mostre a mim como és
Quero ser o perfume que exala sua essência marcante
Que te perfuma
Marca sua pele
Para sempre
Não fujas
Permaneça
Se encontre em mim

Tinho Valério

sábado, 29 de outubro de 2011

Fotógrafo

Chegou lentamente
Breve
Te senti como a relva
Que solitariamente surge
Te observei ao longe
Distante
Tão perfeitamente
Mas, a passos lentos
Não cheguei a ti
Diante de meus olhos
Outro veio
O afastou de mim
Puxou-o para longe
Beijou-lhe a face
Eu me distanciei
A passos rápidos
Você se foi com ele
Fugiu de mim
Sem pena
Sem atrito
Apenas foi
E eu fiquei.

Tinho Valério

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Inveja

A inveja que me tomava posse
Me injuriava
Me fazia queimar por dentro
Aquele sentimento de mistura
Entre o ódio e o desgosto
A inveja de você não pertencer a mim
Mas a ele
O desgosto de te perder
O ódio de você ser de outrem
A inveja
Um sentimento meu
Tão meu
Que me provoca cegueira
Que me fazia passar por cima de tudo
Para chegar a você
Te pegar a força
Te ter
A inveja
Que por ser minha
Machucava aos outros
E não me doía
Até descobrir a inveja de outro
Por mim...

Tinho Valério

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Descoberta

E por a rodoviária estar cheia de gente
A inspiração não me vem
Todo o barulho das vozes
Dos sorrisos
Dos choros de despedidas
Ou de encontros
Impregnam-se a meus pensamentos
E não consigo escrever
Me dói saber que não sou poeta

Tinho Valério

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Compasso

A cada passo um laço
Um traço
Um rastro
Você

A cada choro um temor
Um tremor
Voz de horror
Um grito

A cada pessoa vista
Uma súplica
Uma ajuda
Uma vida

A cada dia uma vitória
Glória
Uma história
Lembranças

A cada estadia
Um dia
Descanso
Nostalgia

E segue...

Porque a cada passo
Um compasso
Uma dança
Uma vida que anda
Breve,
Sem Adeus...

Tinho Valério

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Trato


Eu apenas lembrava os meus irmãos com fome e da minha mãe jogada naquele corredor de hospital para que terminasse de ser consumida pelo câncer. Aos dezessete anos de idade tinha que me tornar a chefe da família mesmo mal sabendo assinar meu nome. Deite-se, ouvi-o dizer sem saber se era um convite ou uma ordem. Obedeci e deitei sobre o capô de um dos carros abandonados na velha oficina. Fechei os olhos com força ouvindo o tilintar da fivela do cinto e o zíper da calça se abrindo. Na pele, senti o toque de suas mãos suadas e sujas de graxa a levantarem o meu vestido e descerem a minha calcinha. Senti o peso do seu corpo e sua respiração ofegante sobre mim. Lembrei-me da minha mãe, meus irmãos e que os dez reais prometidos permitiriam comprar o arroz e o feijão. A investida sua introduzindo seu membro nojento em mim eu fechei os olhos mais uma vez e lembrei o dia em que meu pai nos deixou, o quanto a minha mãe sofreu. Sentada a porta que dava para a rua, as lágrimas parecia não cessar. Daquele dia em diante eu soube o significado da palavra fome. Mãe teve que trabalhar duro para sustentar os quatro filhos pequenos. Muitas foram às vezes em que almoçávamos pra não jantarmos a noite. A minha mãe sofria por dentro, mostrava-se forte, mas bem no íntimo do seu coração eu sabia que ela clamava por socorro. Nosso pai nunca nos deu notícias. Espero que tenha morrido da forma mais sofrida que um ser humano pode passar. Não tenho pena. Nem compaixão. Mais uma vez aquele homem sujo investiu sobre mim, e me veio à memoria o natal de 2000, que minha mãe trabalhou mais do que podia pra poder nos dar uma ceia decente. Naquela noite tivemos um frango à mesa para comermos dignamente, sem falar no refrigerante que ela havia ganhado do patrão. Foi uma noite inesquecível. De súbito voltei à realidade com aquele monstro me puxando, queria mudar a posição. Agora eu de costas pra ele não conseguia conter o choro. Já nem sentia mais dores, e mais uma vez ele em cima de mim como um cavalo acasalando com sua fêmea. Eu repudiava aquele homem. Eu sentia nojo de mim. Queria fugir. Mas meus irmãos precisavam comer e havia os dez reais prometidos. O arroz e o feijão estariam garantidos por pelo menos dois dias. Os urros dele me fazia voltar à realidade, me tirava dos meus pensamentos. Eu estava virando uma prostituta e isso corroía meus pensamentos, minha alma, meu coração, minha vida. Minha mãe sentiria ódio de mim. Eu aqui, em meio a destroços de lataria de carros velhos, enquanto um homem sujo possuía meu corpo em busca de um prazer que só ele sentiria, eu jamais viveria um orgasmo com aquele homem horrendo, e minha mãe num leito de um hospital, sendo sucumbida por aquela doença desgraçada. A revolta era uma constante em mim, já não bastava o que mãe sofreu pra nos criar, agora teria que sofrer com algo que ia te corroer até ela não aguentar mais? Finalmente, aquele desgraçado terminou o que veio fazer. Eu não via a hora de ele me entregar o meu dinheiro e eu desaparecer. Vestiu sua roupa suja. Nem sequer lavou-se. Jogou o dinheiro no chão e me chamou de puta. Recolhi o dinheiro rapidamente e sai atordoada e toda dolorida rua a fora. Cheguei em casa e fui para o quarto, fiquei por alguns minutos na cama me contorcendo por aquelas palavras jogadas a mim por aquele ser horrendo no ápice do seu desejo sexual. Tive ânsias de vômito cada vez que se lembrava do que ele gritava. Puta. Vadia. Geme pra mim. Deixa eu te comer, cachorra. Mexe gostoso pra mim. Eu não era puta. Eu precisei ser puta para meus irmãos não passarem mais fome. Eu fui vadia pelo arroz e feijão. Os meus irmãos nada souberam. A minha mãe não saberia. Ela apenas esperava a morte. Meus irmãos esperavam pela comida prometida. Eu esperava por um príncipe encantado. 


Tinho Valério 

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Atração/Volta/Passado

Tenho a impressão que meus pés caminham em direção ao nada. Tento parar, mas eles não atendem ao comando de minha mente. É como se fossem comandados por um controle remoto. Estou indo de volta ao passado. O medo vai junto comigo, do meu lado, mas mesmo assim a coragem e a atração pelo desconhecido me empurram até o não sei onde. Se eu cair, me levantarei. Se me ferir, curarei com a lama do rio que atravessarei a nado. Se houver espinhos por onde eu caminhar, eles me ferirão, mas minha vontade de chegar é maior do que qualquer arranhão provocado por algo pontiagudo. Já me feriram fortemente outras vezes e eu fiz sarar. Meu corpo aos poucos criou uma camada espeça de proteção. Quase nada me atinge. E minha caminhada continua. O sol teima em queimar as expressões do tempo em meu rosto. Meu suor ficou ácido e queima, mas não sinto dor. Aos poucos minha roupa fica pelos arames farpados do tempo. Eu caminho nu. Sinto que o passado me puxa para junto de si. Meus passos lentamente vão me levando ao não tão distante. No horizonte ele me espera. Eu vou me aproximando. Caminhando. Lentamente. Timidamente. Até que eu chego e ele está lá. O desconhecido frente a frente. Sorrindo. Mostrando-se desvanecido. Agora de perto o reconheço pelo sorriso. O desconhecido era algo de um passado não tão distante. Esteve em mim, bem próximo até que eu disse ‘estou indo’ e fui, mas agora estou de volta. Meus pés me trouxeram até aqui.

Tinho Valério 

domingo, 23 de outubro de 2011

Desejando-te em outra língua

Your body get close to mine
Skin by skin
Touch
Change
Interlacing our hands
We joined
As knot in the steel
The desire comes
The heat
Your body now
            Inside of me
You have me
I have you

Tinho Valério

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Diário da Paulinha

Querido Diário...

Cara, seguinte, hoje o dia foi muuuuuito sinistro sabe? Tipo, fazia maior tempão que o Dido tava me azarando, e eu meio que “num” tava querendo ficar com ninguém e tals... aí ele veio hoje dizendo que queria muito ficar comigo pq tava afinzão de mim... Meu, eu fiquei pretérita, pq assim, Diário, o cara é o mais popular da escola e, tipo, jamais pensei que ele fosse olhar pra mim, mas de repente vejo a cara na minha frente se declarandooooooo... eu fiquei muito doida sabe? Tipo, me perguntei “Paulinha, e aeee? Vc vai ficar com esse gato nean?” Cara, o mais engraçado foi que fiquei num dialogo comigo mesmaaaaa, foi engraçado pacas... “Cara eu não sei se quero ficar com ele, to meio que afim, mas tem a minha amiga que é amiga da amiga da minha melhor amiga que sempre foi muito afim do Dido e tipo, não quero ser a amiga da amiga da melhor amiga fura olho... A loca....” Mas assim, não sei como vai ser até pq o carnaval ta aí, e pow to adorando esta solteira, cara! Ontem tinha uns gatxenhos tudo... um tentou me beijar mas eu me fiz de difícil nean? E tbm acho que é pq eu tava meio que balançada com o que o Dido me disse... Pow queria morrer sabe? Muito difícil ser adolescente em 2011... fala serio! Conversamos mais... bjos

Nascimento

Em mim paira
uma paz interior
Sei que cá dentro
algo quer se rebelar
Aos poucos começa a ganhar
força
E me sufocando interiormente
Explode
Em letras
Palavras
Frases
Versos
Vira poesia.

Tinho Valério

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Anjos

Eu vejo anjos
Todos negros
Asas enormes
Eles possuem ferrões nas pontas
Mas não temo a eles
Eles são anjos
Não possuem sexo
São apecadores
Apenas sabem voar
Eu não sei
Eu não sou anjo.

Tinho Valério

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

O medo me pertence

O medo me arranca a felicidade
Ela escorre por entre os meus dedos
Nem fechando a mão consigo agarrá-la
O vento a leva de mim
E correr não adianta
Porque ela escapa
A felicidade não é minha
O medo sim

Tinho Valério
(Jardim do Seridó/ 15:35)

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Sem título

Queria escrever algo que me foge.
Mas sei que circunda os meus pensamentos.
Queria escrever algo para você.
Mas sua imagem roubou-ps de mim.

Tinho Valério

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

O homem das fotos

Tinha um rosto perfeito. Rosto másculo e viril, e essas características me atraiam. Ficava horas a observar suas fotos que ele nem sonhava que eu tinha guardadas, fotos que tirei dele escondido. Revelando todas suas faces. Expressões. Todas as espécies de sorrisos que ele jogava aos lugares.  O meu preferido era o sorriso a que eu batizei de “meio termo”, não era um sorriso extravagante, mas também não era um sorriso só de lábios. O sorriso meio termo, mostrava a mim seus lindos dentes brancos e tão perfeitamente colocados em sua boca numa simetria perfeita. Era um homem alto, que não passava despercebido. Sua pele era branca, e me imaginava tocando-a, queria saber se seria macia e mais ainda, queria saber seu gosto. Seu corpo me causava sensações estranhas. Embora nunca tenha encostado-se a ele, mas meus olhos poderiam ver imagens que só cabe a mim descrevê-las. Imagens que começam desde aquele olhar sedutor, que me rasga as roupas e me põe sobre uma cama a espera que me possua. Nu na minha frente, totalmente ereto, duro, perfeito. Vem se aproximando. E como é bom sentir a sua respiração quente sobre meu pescoço, que me causa efeitos contraditórios que me esquentam o corpo e ao mesmo tempo esfriam minha espinha dorsal. Vai lentamente pressionando seu corpo sobre o meu, e começo a sentir seu pau, enrijecido, entre minhas pernas. Imediatamente sou consumido por um desejo carnal mais forte do que qualquer desejo sexual que já sentira. Me enrijeço também. Agora o ar quente que sai de sua boca aquece os meus ouvidos provocando em mim gemidos de prazer e aos poucos sua língua também começa a lambuzar meu corpo de saliva, saliva essa que começa a ser trocada com a minha num beijo totalmente sexual, nesse momento não existe paixão. Desejo que me puxe os cabelos e morda meu pescoço sem pena. Prefiro marcas do sexo selvagem a vestígios de apenas um sexo qualquer. Gosto quando ele me pega forte e me vira de costas e começa a arranhar minhas costas com suas mãos ásperas de homem forte. Morde minha bunda e lambuza-a de saliva. Aos poucos vai se pondo dentro de mim e vamos nos tornando um corpo só. Me segura forte enquanto me possui. Cada vez mais vamos nos entendendo naquele sexo gostoso cheio de prazer e trocas carinhosas. Já nos encontrávamos suados e com o calor sexual aflorando na pele quando enfim ele jorrou seu leite sobre mim. Era quente, assim como o sexo que ele fazia. Gemeu. Urrou. Gritou enquanto expelia seu esperma sobre meu corpo e me lambuzava de sua masculinidade posta pra fora agora. Senti prazer como jamais senti. Gozei como jamais havia gozado. Foi uma experiência inacreditável que só aos meus olhos pode ser vista. E era assim que me sentia ao ver as fotos daquele homem que me consumia em pensamentos e desejos.

domingo, 16 de outubro de 2011

As pedras duras

As pedras pesavam na caminhada
Seus pés afundavam na areia
Estava fofo o chão que pisava
As marcas deixadas foram mais fortes do que de costume
Ainda sim sentia a dor do peso que resolveu carregar
Tinham pena dele
E ele sabia, mas não se importava.

Teve momentos que olhou pra trás
E quis chorar
Lágrimas rolaram e ele chorou por dias
Chorou
Chorou
Chorou
Até não poder mais

E o peso ainda continuava sobre suas costas
As pedras agora rasgavam sua pele
O sangue começou a escorrer e pingar no chão
E mais um rastro vai ficando

Mas o sangue seca
Secou seu coração
As pedras agora não pesam mais
São leves
Ele as traz consigo pra jogar sobre aquele homem que o magoou
Sem pena...

Tinho Valério

sábado, 15 de outubro de 2011

Luca

Daquelas lentes falsas vi um olhar verdadeiro que me seguia. Olhos negros de um brilho intenso que me deixava atordoado. Algo me atraia e puxava meu corpo em direção ao, até então, desconhecido. Dei o ultimo gole de cerveja e caminhei em direção a ele. De perto pude perceber o quão era perfeita a simetria de seu rosto. Parecia ter sido esculpido no mármore e de tão perfeito havia ganhado vida. O que era apenas uma pedra foi surgindo veias onde o sangue passaria a fluir e esquentar seu corpo.  Seus lábios pareciam me colocar à provação. Eu os desejava e de tão intensamente não resisti e provei-os. Seu corpo agora era quente e junto ao meu corpo fluía um desejo carnal. Meu corpo agora era quente e junto ao seu corpo também fluía um desejo carnal. Havia pessoas ao nosso redor, tomei mais um gole da cerveja que estava quente e ele me sussurrou algo ao ouvido. Apenas fechei os olhos e aos poucos as batidas do dj foram se tornando fracas, o barulho das pessoas foi se dispersando e quando tornei a abri-los não me encontrava mais na pista de dança, embora tudo fosse escuro. Apenas podia sentir ele junto a mim. Sua respiração quente arrepiava-me completamente. Lentamente fui sentindo seus lábios úmidos deslizando sobre os meus. Sua língua procurava algo desesperadamente dentro de minha boca, aos poucos foi encontrando o céu. Já me encontrava anestesiadamente hipnotizado por a sensação que seu beijo me proporcionava. Agora já não respondia por meus atos e os pudores de um homem tímido desapareceram por completo. Minha mão descia cada vez mais até, por fim, encontrar o que procurava. O desejo carnal começava a circular ardentemente entre minhas veias até começarem a ser expelidos pelo meu suor que se juntava ao corpo do garoto de lentes falsas, mas agora, de olhar cheio de um desejo sexual que começava a me consumir. A sensação de estar tudo as escuras tornava nosso desejo mais aflorado. Beijos. Gemidos. Toques. Cheiros. Saliva. Sexo. Agora totalmente despudorados, nós nos entregávamos ao sabor do sexo de ambos. Ele me chupava. Eu chupava ele. Nossas línguas nos conduzia ao melhor do sexo que um podia proporcionar ao outro. Ele urrava de prazer e seus gemidos e urros me excitavam cada vez mais. Falávamos coisas sacanas enquanto nossas carícias nos levavam ao ápice sexual do momento. Eu queria sentir seu néctar descer pela minha garganta. Eu queria sentir o doce do seu leite branco. Uma voz vinda de longe começava a se aproximar, até que o som do dj voltou e pode perceber que havia sido apenas um delírio sob o efeito do álcool. A voz tornou-se feminina. Ela chamava por ele. Mais uma vez olhei o rapaz das lentes falsas e disse meu nome. Ele retribuiu com um sorriso, e respondeu com seu nome. Despediu-se. Tinha que partir com sua amiga. Seu nome era Luca.
Tinho Valério

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Aquele sacana

Aquele sacana
Odeio-o com todas as forças
Não quero mais vê-lo
Nunca mais vou querer ele de volta

O pior que eu quero
E porque eu quero, ele não voltará
E eu vou sofrer
Eu estou sofrendo

Tinho Valério

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Agora

E era assim
Um muro de pedra entre nós
Podia ouvir seu grito de clemência do outro lado
Escalar era sinônimo de fracasso meu
Isso me doía
Eu chorava
As horas seguiam
Os segundos arrancavam meu desespero
Eu caminhava, mas o muro era distante...
Sem fim
E mais gritos
Os urros do desespero me sucumbiam
Consumiam Minh ‘alma
Tentava escalar em vão novamente
Meus dedos agora estavam na carne viva
A dor eu nem sentia mais
Ela também não tinha cor
E o muro era infinito
E era assim
O muro
O outro lado
Os gritos
E eu

Tinho Valério

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Eu caminho pelas ruas
Mas ninguém me Vê
Eu passo perto das pessoas
Grito
Mas ninguém me Vê
Então eu corro
Procuro outro lugar
Lá existem mais pessoas
Mas ninguém me Vê
Aquele menino de cócoras
Ele chora
Eu vou para mais perto
Ele vai se pondo em silêncio
Aquele menino sou eu
Mas ninguém me Vê
A mulher alta passa ao nosso lado
Passado e futuro juntos
Agora de mãos dadas
Mas ninguém nos Vê
Ele chora
Eu acalanto
Ele diz tenho fome
Eu digo não trago comida
Ele repete tenho fome
Eu o encaro
Ele grita TENHO FOME DE AMOR
Eu sussurro tenho fome de perdão
A mulher alta de outrora era nossa mãe
Mas ela não me Vê
Ela Vê o garoto do passado
Ele corre até ela
Ela continua caminhando
O garoto grita
Ela não olha pra trás
O garoto chora ao chão
Mas ninguém o Vê
Ela se dispersa no vento
Eu observo de longe
Sussurro novamente tenho fome de perdão
Dou meia volta e começo outra caminhada
Mas ninguém me Vê
Nem a eu-futuro
Nem a eu-passado

Tinho Valério

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Pra ser meu

Pra ser meu
Bastava nascer
Viver
Me olhar
Me encontrar
Pra ser meu
Bastava estar aqui
E você estava
Pra ser meu
Bastava me encontrar

Tinho Valério

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Adeus

E eu te observava sumir
Você desaparecia lentamente
Mas meus sentimentos permaneciam comigo
Os melhores que eu tinha pra te oferecer
A cada passo seu rumo ao desconhecido
Eu fechava a minha mão
Meus dedos estalavam
O sangue corria
E minha mão ficava pálida
Eu resolvi não chorar
Os sentimentos bons eram seus
Eu os tinha para você
E se escolheu partir
Então, era melhor levá-los consigo
Você caminhava
Minha mão abria para que SEUS sentimentos bons saíssem de mim
Não se encontrava mais pálida
Meu coração pulsava dando destino ao sangue em minhas veias
O choro veio de súbito
Mas engoli-o em seco
Se for para chorar que fosse por dentro
Só assim lavava meu sangue e o purificava de você
Aos poucos nem seus rastros havia na estrada
O vento apagara
Assim como também apagaria seu rosto de minha memória
Em breve você não seria mais nem lembrança

Tinho Valério

domingo, 9 de outubro de 2011

sábado, 8 de outubro de 2011

Apresentação

Eu sou quem só se ver poucas vezes
Eu sou aquela que na maioria se ver ao longe
Nunca de tão perto
Dizem que sou negra
Mas minha cor na verdade é cinza
Caminho sempre sozinha
Mas eu posso caminhar sozinho e ser masculino
Eu sou aquela que ninguém deseja
Sou temerosa
Rejeitada
Meus olhos podem parecer assustadores
Pura fantasia!
Meus olhos são serenos
Posso olhar com profundidade
E eles acabam com o sofrimento alheio
Quando eu chegar não tenha medo de mim
Chegarei tranquilamente
Quando eu chegar deixe que me aproxime de você
Do seu ouvido
Quando eu chegar
Ouça a minha voz
Porque eu te direi que sou a Morte!















Tinho Valério

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Lovesong

E o ônibus segue no tapete escuro
Junto com ele eu vou
Meus sentimentos
Minha
Solidão
Amy embala minha caminhada
Ela canta suas dores para mim
Tão semelhantes as minhas
Vivemos para amar
Ela com sua poesia cantada
Eu com meus simples versos escritos

Tinho Valério

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Quando não sei mais

Eu nem sei mais de mim
Talvez porque nem tenha me encontrado
Ando perdido pela rua
Meus sentimentos afloram
Eu me afogo neles
Porque não sei libertá-los
Porque não sei escrever
Porque não sou poeta
Mas, queria ser.

Tinho Valério

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A espera II

A espera
Que sempre me tomava os pensamentos
Me corroía a mente
Levava-me a um passado não tão distante
A espera
Uma coisa abstrata
Que me agoniava
o corpo tão concretamente.
A espera
Que não me deixava
Ser feliz
A espera
por você aí
e eu aqui.

Tinho Valério

terça-feira, 4 de outubro de 2011

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Apartamento 201

Agora tenho que deixar o quarto
Não mais me pertence
O silêncio virá em breve
Meus passos serão os últimos sons
Talvez as lembranças teimem em rastejar pelos corredores do hotel

Fui feliz por horas
Amei por horas

Respirei fundo antes de fechar a porta
Girei a chave
Aqui fica o silêncio
O cheiro do meu perfume
A lembrança ainda doce de sua partida
Mas é preciso seguir em frente

Tinho Valério

domingo, 2 de outubro de 2011

Adurir


Eu venho me aproximando
Nas mãos trago brasas
Incandescentes
Quentes
Assim como meu corpo
Que abrasa
Desejando-te ardentemente
Mas cuidado!
Eu posso te inflamar
Minha saliva é caustica
Como a água que ferve a 100°C
Ela te arranca o couro
Meu membro
Duro como um ferro
Ferra
Vermelho e quente como o fogo
Queima
Cuidado!
Eu venho me aproximando
E trago comigo as brasas
Que vão te incendiar

Tinho Valério

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Eu sou assim, indelével


Eu sou assim, indelével.
Não se pode apagar
Esquecer
Sou como a água
Que por mais que tenha secado
Deixa marcas
Sou como o ar
Que não se vê
Apenas se sente
Às vezes até destrói
Mas é vital para a vida
Sou como o diamante
Precioso
Forte
Inquebrável
Eu sou o que não se pode destruir
Suprimir ou fazer desaparecer totalmente
Eu sou
Apenas...

Tinho Valério

Just Feelings

E se olhasse pra trás e o visse
Eu cuspiria
Seria uma visão de nojo
Quem sabe até ânsias de vômito viessem à tona?
O que um dia foi amor
Hoje apenas nojo
Raiva
Desprezo
Ignoro-te todas as vezes que vem a meu pensamento
Limpo meu rosto todas as vezes que a lágrima insiste em sair por sua causa
Flagelo meu corpo procurando tirar as cicatrizes do seu toque
Tudo é em vão
Se eu olhasse pra trás e o visse
Eu cairia
Você passaria por mim
Perto, bem perto.
Mas não me veria...

Tinho Valério

Egoísta

Por que olhar para mim não bastava
Eu queria possuir
Ter apenas para mim
Devaneio nos pensamentos
Fujo para não ser consumido
Mas não adianta
Você seria meu
Suas fotos já eram minhas
Em breve seu corpo também

Tinho Valério

Peço-te desculpas

Peço-te desculpas
Porque não sei me redimir de outra forma
Peço-te desculpas
Prostrando-me a teus pés
Como uma adoração ao ser perfeito
Peço-te desculpas
Como um trovador
Que encanta tuas musas
Musicalizando suas vidas com as mais belas melodias
Peço-te desculpas da maneira mais utópica possível
Que de um desejo
Faço meus pés, corpo, pensamentos e palavras chegarem a você.
E musicando como um trovador
Adorando-te como o ser perfeito
Redimo-me da forma mais simples
Pedindo-lhe desculpas com um olhar
Desculpe-me

Tinho Valério

domingo, 4 de setembro de 2011

O verde das esmeraldas




“Foram aqueles olhos verdes
O verde-esmeralda raro
Que lapidado brilhava inexplicavelmente
De tão forte brilho
Me puxou para um exílio
De meus pensamentos tão somente”

Tinho Valério


Nos olhos verdes daquele rapaz que me vi refletir tão insistentemente. Cruzamo-nos na pista de dança, havia uma musica dançante naquela hora, mas tudo repentinamente foi se tornando lento. O silêncio se fez com o abraço que ele me dera. Nossos corações se juntaram. Apenas separados pela nossa pele e ossos, mas unidos pelo calor de algo que surgia a partir daquele abraço. Suas mãos percorriam minhas costas tão suavemente que me deixava em frenesi. Flutuei por alguns segundos, meus pés não sentiam o chão. Todos percorriam, sorriam, falavam alto, mas meus ouvidos estavam atentos apenas a sua respiração que se tornara ofegante enquanto me abraçava. Seu cheiro foi como imaginava quando o vi, tinha o cheiro de algo verde, não o verde da mata, mas o verde da cor verde. Era a minha cor preferida, e para mim ela tinha cheiro. O rapaz tinha o cheiro do verde. Tudo ainda continuava lento. Olhamo-nos mais uma vez e percebi o quanto verde eram os seus olhos brilhantes. Eram da cor das esmeraldas que o Fernão Dias Paes, o “caçador de esmeraldas”, tanto procurou pelo interior do Brasil por anos de sua vida, mas morreu achando que as havia encontrado, quando na verdade não passavam de turmalinas. Nesse momento me senti o tal caçador, do fracasso dele, eu sem procurar, encontrei, bem diante de mim um par de esmeraldas lindas e tão procuradas que vieram à minhas mãos. Elas seriam minhas, eu sabia. Durante toda a noite as tive sob o meu olhar, elas brilhavam a ponto de me deixar cego aos outros. Durante toda a noite as tive para mim. As horas foram passando e as perdi. O rapaz partiu com elas e não pude fazer nada. Apenas guardá-las em memória. O brilho. O meu reflexo. O verde, a minha cor favorita. Ele pôs-se a caminho determinado e não mais o vi... Mas meus pensamentos permaneceram nele e em suas esmeraldas na esperança de encontrá-las novamente e dessa vez não deixar que ele as leve. Elas são minhas assim como ele me pertence.

Tinho Valério
12/JUL/2011

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Sem Mais Palavras


Aos poucos fui mudando de cor
Mudando de temperatura
Endurecendo
Crescia para os lados
Inchava
Estava morto










Tinho Valério 

sábado, 27 de agosto de 2011

Arara-Azul


Vinha de longe
Não sei de onde
Apenas sei que veio até mim
Pousou naturalmente
E com suas asas longas
Sugeriu confiança
Abraçou-me
Aqueceu-me
O pássaro não me assustava mais
Seu canto era levado pelo vento
Suas notas musicais fluíam
Seguiam seu caminho
Eu sorria
Ele também
Era lindo

Tinho Valério

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O negreiro, os negros, a morte e eu.




Fechei os olhos para poder vê-los
O escuro dos porões negreiros era tenebroso
Ouvi gritos e lamentações
Senti o cheiro dos corpos aglomerados e sujos
As mãos que clamavam por comida e vida passavam pelo meu corpo
Não era possível equilibrar-se naquele lugar putredinoso
O mar balançava o negreiro e os negros
A presença mais frequente ali era da Morte
Eu a vi por vários momentos
Ela chegou a passar tão perto de mim que senti seu vento gélido
Ela era cinza
Opaca
Vi os negros sorrindo para ela
O que era feio para uns, para eles era linda a Morte
Ela os salvaria do sofrimento
Muitos preferiam sofrer e continuar a grande viagem
Mas ela era paciente e sabia esperar o momento certo de convencê-los a ir junto
O que era rei agora não passava de só mais um corpo preto e sujo
Misturado a tantos outros homens e mulheres esqueléticos
Crianças já não havia mais ali
A criatura cinza havia levado todas
Eles cantavam uma música triste a quase todo momento
Diziam amenizar a dor que estava sentindo
A mim fazia efeito contrário
Doía
Tomava-me o ar
Abri os olhos, não queria mais vê-los
Mas continuei a ouvi-los por muito tempo
Eu chorei por muito tempo
A Morte só tornei a ver quando ela veio me buscar...

Tinho Valério

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Negros

Chamam-vos de Negros
Eu prefiro, Gente
Humanos fortes
Da cor quente

Olhos vivos
Cor singular
Nossos primos
Não vou duvidar

Entregues a nós
Como animais
Trouxeram nas correntes
As dores dos mortais

Humilhados desumanamente
Açoitados por inconsequentes
Tratamento desumano
Deram a essa gente

Tinho Valério