Ao cair os tons alaranjados de
todas as tardes a Mãe D’água surge de dentro das águas, suntuosa. Seus cabelos
negros e longos laçam-se às flores silvestres da mata. Todo mês de Maio ela
aparece quando o sol toca as águas. Dizem ser possível ouvir o fervilhar delas
anunciando a chegada da morena de olhos negros como a noite. À medida que canta
mais inquietos ficam os homens pelo não sei o quê.
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Neste mês das flores silvestres o
índio invadiu de canoa no rio. Seu corpo trêmulo padecia de um abraço. Ela veio
vindo, vagarosamente. Abriu os lábios úmidos e dissipou seu canto suave. Houve
festa nas profundezas do rio Potengi. E dizem os mais velhos – eu não sei – que
todos os dias quando o céu se cobre de vermelho, aparece uma morena toda
enfeitada com rosas de jerimum caboclo e de longos cabelos negros que flutuavam
na correnteza do rio a esperar pelo seu noivo porque um só não bastara.
Tibúrcio Valério
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