sábado, 20 de novembro de 2010

Partida II

Soprou vento
Bateu asas
Partira...
Seu lugar não era mais aquele
Seu destino, talvez, encontrasse nos céus
Suas expectativas ficaram para trás
Assim como a vida infeliz que levara
Sumia pelos céus com a sensação de procurado
O procurado, ia desaparecendo com a ânsia de procura...

Tibúrcio Valério
(19/11/2010)

sábado, 23 de outubro de 2010

Lagoa das Moças



Vancê tá vendo êsse lago,

pequeno, desse tamanho?

Apois bem, é a lagoinha,

onde as moças tomam banho,

quaje tôda menhanzinha.



Eu num sei pruque razão

essa água cheira tanto?

Num sei mesmo pruque é...

Mas, descunfio e agaranto:

sê do suô das muié.



- Mas, se eu fôsse essa lagoa,

se ela eu pudesse sê! 

Se quando as moças chegasse,

eu pudesse as moças vê...

Aí, os óios eu feixasse...



Quando n’água elas caísse

eu pegava, abria os óios.

Uns óios desse tamanho!!!

Só pra vê aqueles móios

de moça tomando banho.


RENATO CALDAS, poeta de Assú (RN) em seu Livro FULÔ DO MATO
*Foto Fernando Chiriboba: Poço da Moça, Jardim do Seridó, RN

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Apenas Quase Ela

Acordei quando senti o seu cheiro. Ela estava bem à minha frente. Usava apenas uma camisola transparente, que dava para ver nitidamente as auréolas escuras de seus seios – já devia ter amamentado. Logo percebi que estava excitado, o meu corpo queria saltar por baixo da cueca. Então, ela veio para mim e me tocou com seus lábios que estavam úmidos. Arrancou minha cueca com a boca. Foi sensual e erótico vê-la fazer isso. Seu olhar de animal faminto me deixava louco. Joguei-a no chão e rasguei sua roupa com minhas mãos e descobri que também me sentia como um animal faminto, só que faminto por sexo. Avancei sobre ela, nossos corpos encontravam-se quentes e desejando-se. Arranhou-me  as costas enquanto meu corpo entrava nela. Sua respiração era ofegante; ora gritava, ora gemia e isso me dava mais prazer e vontade de possuí-la.
Possuí-a.
Dei-lhe prazer e múltiplos orgasmos a noite toda.
Acabou.
Enrolou seu corpo num lençol e saiu para a rua de onde surgira.
Assustei-me com o despertador que gritava infernalmente nos meus ouvidos com aquele barulho ensurdecedor. Havia sido apenas um sonho.

Tibúrcio Valério

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Lucas

Era Luz
De repente um estrondo

Veio o choro
A palavra foi Morte

Luz era
De repente um escuro
Chora mãe, chora pai, chora irmãs
Choram os outros

Veio o Silêncio
Resta Saudades...

Tibúrcio Valério

domingo, 17 de outubro de 2010

Partida

Então foi...
Não se despediu porque não achou necessário
A lembrança que deixara na mente já era de bom grado
Seus pensamentos a muito que já não queriam estar ali
Partiu como um pássaro quando bate suas asas
Rápido e soprando vento
Foi sem olhar pra trás...

Tibúrcio Valério
17/OUT/2010

terça-feira, 21 de setembro de 2010

My Will

One day a doctor will determine that my brain ceased to function and that, in an essential way, my life has stopped. when that happens do not attempt to introduce artificial life into my body by the use of a machine.

Instead, give my sight to the man who has never seen a sunrise, a baby's face or love in the eyes of a woman. give my heart to a person whose own heart has caused nothing but endless days of pain. give my kidneys to one who depends on a machine to exist from week. take my blood, my bones, every muscle and nerve in my body and find a way to make a crippled child walk.

Explore every corner of may brain. take my cells, if necessary, and let them grow so that, someday, a speechless boy will be able to shout as his team scores a goal ad a deaf girl will hear the sound of rain against her window.

Burn what is left of me and scatter the ashes to the winds to help the flowers grow.

If you really want to bury something, let it be my faults, my weakness and all prejudice against my fellow man.

Give my sins to the devil. Give my soul to God.

If you should wish to remember me, do it with a kind deed or word to some one who needs you. If you do all I have asked, I will live forever.

P.S. Foi uns dos textos mais lindo que ja li... emociona mesmo!

domingo, 19 de setembro de 2010

O vermelho de Canoa





"Ele olhava o mar sentado, enquanto o homem que o havia feito sair de todo lugar seguro estava deitado de bruços na areia avermelhada. A água era o lugar mais longe onde já havia pousado os olhos. Mais bravio, mais perigoso. E agora curiosamente era o lugar mais familiar que podia encontrar a tantos quilômetros longe de casa e de qualquer um que pudesse abraçá-lo. Amanhecia devagar, as pessoas começavam a deixar a praia, indo pra lugar que não importa, os pescadores passavam pelo garoto sentado, pela areia avermelhada naquele ponto e não viam. Viam a areia, viam o homem, mas o garoto, o que ele era de verdade, não viam. Viam um choro, baixo, um peso no meio do sol que subia e cegava um pouco. Uma nuvem em formato de vazio... um buraco no céu. O garoto se levantou, olhou para trás, a areia perto dele já estava avermelhada também. Olhou ao redor e só havia um barco no mar. Caminhou até a água, deixou o mar lavar um pouco o vermelho de seus pés. E saiu pra procurar o lugar seguro que um abraço pode ser. Ainda chorava, ainda tremia de frio. Mas o coração pegava fogo e ele preferia que estivesse tão frio quanto a água. A praia era longa, vazia... um barco lá atrás. O peso no sol aumentava. A praia era lona... um abraço seguro. O mar não o daria."


(Arthur Dantas)